quinta-feira, janeiro 14, 2010

44 - para onde foi a nossa alma de criança?

São tantos os momentos que me ligam a ti, carregados duma intensidade que os proíbe de se evaporarem da minha memória, onde tudo acontece. Sem ver, abusa-se no sentir. Sobre o doce olhar que me guia, eu penso em ti. E tu, pensas em mim? Pergunto-me, enquanto o chocolate quente me aquece o corpo, a alma. Parece que ninguém é capaz de te dar a conhecer o Amor, aquele que tantos anseiam encontrar na sua eterna procura. Descansadamente, sorris e fazes troça de mim. Passas tantas vezes por mim e, com aquele olhar indiferente, segues o teu caminho. Depois, lentamente, olhas para trás e vês-me partir. O Senhor Manuel, do café junto à escola primária, fez-me essa confissão e ainda me disse ‘menina, olhe que o seu rapaz qualquer dia ainda se perde’. Corei como se ainda tivesse 7 anos, como se ainda estivesse na escola primária, como quando pegavas na minha mão e dizias ‘quando formos grandes casas comigo?’. Só o Senhor Manuel continua a trabalhar, no mesmo café. Tudo o resto mudou. Mais velhos, mais complicados e distantes um do outro, embora trabalhemos no mesmo escritório, assim vamos vivendo. Todos dizem que gostamos um do outro. Como é que ‘todos’ se apercebem disso? Todos menos nós. Acabamos por cair num ciclo ridículo, onde a paixão dera lugar a um amor que é vivido em segredo, porque o medo corrói-nos. E é com esse medo que vivemos. Sozinhos, sem partilhar doces chupa-chupas, fingimos que nenhum de nós existe. Fingimos que não gostamos um do outro e deixamos a nossa alma de criança por aí, algures perdida, algures enterrada.

18 comentários:

  1. A vida está sempre caminhando. Sempre não, às vezes ela corre. Mas nunca pára pra esperar quem fica pra trás, por cansaço, preguiça ou qualquer outro motivo. Daí, em alguns momentos, sentimos que ficamos pra trás, que não conseguimos acompanhar o ritmo natural das coisas. Tudo mudou, nós mudamos, mas alguns sentimentos, algumas relações não conseguem acompanhar as mudanças e ficam perdidas no tempo. Não pertencem nem ao passado porque ainda são reais, nem ao presente porque não cabem no contexto em que são inseridas. E aí? O que fazer? Não sei. Não pretendo ter todas as respostas. Mas acho que é preciso uma medida drástica. Talvez esperar ele olhar pra trás e olhar no fundo dos seus olhos, talvez dar uns passos em direção a ele, talvez segurar as mãos dele e não deixá-lo ir. Talvez...

    Bjs.

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  2. MEDO DE QUÊ?
    Dá doce prá tua criança interior que assim, toda coragem se apresenta - sob qualquer circunstância.

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  3. Quanta vezes nos perdemos um do outro e de nós mesmo, por medos, por não nos darmos conta dos sentimentos.

    bjs

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  4. Olha que por vezes os outros vêem melhor que nós!
    Se calhar é difícil, para quem sempre se conheceu, ver para além da amizade!

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  5. sabes, nem sempre começar do zero é mau!

    para resolver uma situação minha, tive de aprender a ser amigo de quem amava, quando tudo o que queria era poder amá-la todos os dias!

    comecei do zero, deixei rolar, aprendi a ver e aceitar!
    acredita que o melhor vai sobressair...
    o melhor nem sempre é aquilo que desejamos, mas a mim fez-me bem passar por aquilo!

    a flor voltou a abrir! estou feliz.

    uma dica: rega a planta com a tua amizade e deixa crescer, o sol será a direcção!

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  6. Bastaria um gesto, olhos nos olhos, e perguntar sem subterfúgios o que ocorre... Mesmo com o risco de a poética ser sacrificada, se vêm os beijos e abraços. Ou explodir de sentimentos, se não mais for que curioso laço antigo.
    Bem estruturado, é leve e profundo, universal. Pode ser traduzido em qualquer idioma de qualquer época. Parabéns.

    Beijos.

    Grato pela visita ao blog.

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  7. só têm que se encontrar e...

    amar...

    só isso

    abrazos serranos

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  8. O troar do trovão, esta incessante chuva
    As estrelas choram todas as mágoas na terra
    Onde param os Anjos, porque não nos acodem os Santos
    O mal e o bem porfiam esta eterna guerra

    As casas do sul ruiram todas
    Tal como a esperança desesperada
    Toquei no rosto de uma criança triste
    Senti uma paz surgir do nada


    Mágico beijo

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  9. Ô dona moça Sara, bons tempos aqueles heim? hummm... kkkkkk

    Oi temos ainda dentro de nós a crtiança qier fomos um dia e suas lembranças.

    Medo é? Tenha não fia! kkkkkkkkk

    bjs
    O Sibarita

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  10. Se as coisas fossem como gostariamos que fossem, mesmo assim contnuaríamos a queixar-nos de que já não eram como dantes... A alma de criança (neste caso teimosa) está dentro de vós que nenhum quer ver..por vergonha, por medo? O amor é tão bonito, provoquem, meninos, o Acontecimento!!Deliberado, ocasional...mas façam-no! A vida, não espera por vós...
    Beijo
    Graça

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  11. Amiga Sara,

    Até o amor tem o seu apego e assim deixa de ser amor. Amor é fluir. É encarar as coisas (mesmo quando estamos há muito tempo numa mesma relação)como se estas fossem ocorrer pela primeira vez. É assim que a essência da vida funciona, como o comprova a Física Quântica.

    Só com esta forma de encarar as coisas poderemos refrescar tudo de novo. Pode é não haver capacidade para tal fazer, devido ao estado evolutivo em que se esteja.

    Parabéns.

    Um abraço.

    José António

    PS.:

    Já actualizámos todos os nossos blogues. Se os quiser visitar, sinta-se convidada...

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  12. Perdi a minha alma de criança enquanta chorava por um homen que não me merecia e com ele, ela partiu.
    Encontrei o homem que devolveu-me o sorriso e encheu o meu coração - mas a criança não voltou...
    Pelo menos eu achava que não... mas por vezes eu a vejo no reflexo de um sorriso, numa fotografia alegre e numa gargalhada sentida... Está escondida no meu coração e só quem me conhece profundamente é que a conhece tambem.

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  13. o teu blog esta bem giro sara :) *

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  14. Grande texto Sarinha, continua :)
    Adoro-te @

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